domingo, 11 de setembro de 2011
Essa é pra acabar
Sempre foi difícil terminar
Sempre é um suplício esse momento
Mas temos que acabar
Não adianta essa demora
Se tudo acaba um dia
Então porque que não agora
Vamos entender esse momento
Vamos acabar enquanto é tempo
Tocando e cantando
O tempo vai passando
A gente entra numas
De repente é o fim do ano
Essa é pra acabar
Foi feita só pra isso
É pra lembrar vocês
Que existem outros compromissos
Não serve pra ouvir e deixar feliz
Feliz da vida
Não serve pra cantar porque ela
É até meio comprida
Não serve pra dançar
Não serve pra entreter
Aí você me pergunta
Mas então serve pra quê?
Serve pra acabar
Não tem outro sentido
É pra acabar com o show
Ou destruir o nosso ouvido
É pra acabar com a história
Que esse show tá meio chocho
É bom acabar com isso
Que dá ódio, deixa roxo
Isso não é orquestra
Não é uma filarmônica
Temos que acabar como se fosse bomba atômica
Acho que agora exagerei
Mas deu pra entender
O que eu quis dizer?
Tem hora que é do show
Tem hora que é da vida
E os dois estão ligados
Pela porta de saída
E nem é uma questão só de entender
Vocês também têm mais o que fazer
Ficando por aqui
A coisa é enfadonha
Acaba o repertório
E a gente fica com vergonha
Essa é pra acabar
Pra dar o ponto final
É pra romper de vez
Nosso cordão umbilical
Nós vamos conseguir
Se todos, todos cooperarem
Até o iluminador já disse:
Parem! Parem! Parem!
Temos que parar
Parar com esse inferno
Temos que evitar
Que esse show se torne eterno
Essa é pra acabar
Não temos outra escolha
É como se tivesse que estancar
O show com rolha
Se a gente for deixar
Isso não acaba, vira inércia
Eu sei porque eu já vi
Eu já tive essa experiência
Tem que dar um fim
Também não é bom pra mim
Mas é a realidade
Que nos faz agir assim
Essa é pra acabar
Então que acabe logo
Que eu já não agüento mais
Se isso não acaba eu me sufoco
Tchau, tchau, tchau...
Luíz Tatit
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Cardio
Não sei mais como me referir a você usando a segunda pessoa do singular. Não sei se a dificuldade mora na segunda pessoa ou no singular. Só sei que não sei mais como falar. Não sei se falo de você ou se falo com você. É muito solitário falar sozinha e ao mesmo tempo você está muito longe pra escutar o que eu tenho pra falar. Não é exatamente uma distância física, porque pra resolver essa dá-se um jeito. A nossa distância tem uma unidade de medida ainda não inventada pela engenharia moderna.
Um coração se perdeu e o outro esfriou. O coração perdido sente tudo ao mesmo tempo, ódio, amor, vício, inconformismo, decepção, culpa, solidão.O coração frio já não sente mais nada. É aquele coração que foi esquecido na neve minutos antes da avalanche.
...
No final das contas os dois corações são da mesma pessoa. A minha pessoa. Em momentos diferentes.
...
Meu coração está doente. Talvez um cardiologista conserte, ainda não tentei. Um psiquiatra pode remediar, mas curar, duvido muito. Você já tem carência de músculo cardíaco, também não pode me ajudar. Só um novo. Vou pra fila de espera.
Preciso de um doador.
Um coração se perdeu e o outro esfriou. O coração perdido sente tudo ao mesmo tempo, ódio, amor, vício, inconformismo, decepção, culpa, solidão.O coração frio já não sente mais nada. É aquele coração que foi esquecido na neve minutos antes da avalanche.
...
No final das contas os dois corações são da mesma pessoa. A minha pessoa. Em momentos diferentes.
...
Meu coração está doente. Talvez um cardiologista conserte, ainda não tentei. Um psiquiatra pode remediar, mas curar, duvido muito. Você já tem carência de músculo cardíaco, também não pode me ajudar. Só um novo. Vou pra fila de espera.
Preciso de um doador.
Vanilla sky
Fui dormir pensando em uma pessoa e acabei tendo um sonho lindo com outra.
Acordei sozinha... Os sonhos são traiçoeiros. Eles zombam da gente. Trazem as mais desejadas pessoas, imagens, situações, sensações... pra depois a gente acordar com o despertador do celular, de cara pro mesmo teto do mesmo quarto, da mesma casa, na mesma situação, na mesma...
Dizem que a gente tem sempre que olhar pro final do arco-íris, pra meta, pra finalidade pro caminho valer a pena, fazer sentido. Mas tem horas que dá vontade de jogar tudo pro alto (quem nunca passou por isso?) e fugir, enfiar o pé na lama de novo só por alguns pequenos momentos felizes.
É... pensar a longo prazo é bem difícil. Ter paciência é uma virtude para poucos, ainda mais nesse mundo imediatista em que vivemos. Mas toda essa paciência traz resultados que irão durar uma vida. Não é a toa que as japonesas são o grupo de pessoas que tem a maior expectativa de vida do mundo. Mas fica a pergunta no ar, que eu me faço todos os dias de manhã, quando o celular me acorda: De que adianta viver mais e ser infeliz?
Depois de tanto tempo vivendo impulsivamente e quebrando a cara muitas vezes, acabei afastando toda e qualquer forma de tentação, de impulso que me faça sair do meu plano a longo prazo. E peguei um caminho sem volta e sem atalhos. Agora só me resta ter paciência. E esperar a noite chegar pra poder sonhar de novo...
Acordei sozinha... Os sonhos são traiçoeiros. Eles zombam da gente. Trazem as mais desejadas pessoas, imagens, situações, sensações... pra depois a gente acordar com o despertador do celular, de cara pro mesmo teto do mesmo quarto, da mesma casa, na mesma situação, na mesma...
Dizem que a gente tem sempre que olhar pro final do arco-íris, pra meta, pra finalidade pro caminho valer a pena, fazer sentido. Mas tem horas que dá vontade de jogar tudo pro alto (quem nunca passou por isso?) e fugir, enfiar o pé na lama de novo só por alguns pequenos momentos felizes.
É... pensar a longo prazo é bem difícil. Ter paciência é uma virtude para poucos, ainda mais nesse mundo imediatista em que vivemos. Mas toda essa paciência traz resultados que irão durar uma vida. Não é a toa que as japonesas são o grupo de pessoas que tem a maior expectativa de vida do mundo. Mas fica a pergunta no ar, que eu me faço todos os dias de manhã, quando o celular me acorda: De que adianta viver mais e ser infeliz?
Depois de tanto tempo vivendo impulsivamente e quebrando a cara muitas vezes, acabei afastando toda e qualquer forma de tentação, de impulso que me faça sair do meu plano a longo prazo. E peguei um caminho sem volta e sem atalhos. Agora só me resta ter paciência. E esperar a noite chegar pra poder sonhar de novo...
domingo, 4 de setembro de 2011
Declaração
Não considero um vício formal a inexistência de um contrato. Vamos deixar a matéria para ser debatida baseada nos fatos concretos e não mais em probabilidades ou analogias. E um detalhe muito importante: os procedimentos devem ser operados em sigilo de Estado. Tudo para que o processo ocorra da melhor forma e para que o julgamento seja o mais imparcial possível.
Declaro encerrada esta audiência.
Declaro encerrada esta audiência.
sábado, 3 de setembro de 2011
Report
Second day:
Same thing. I'm proud of myself. I just figured out I have many thing kept. I drank a forgoten vodka at my grandma's house with watermallon juice.
Third day:
Went to a feijoada from my class. Paid nothing. Now I'm home, happy and tired.
see ya
Same thing. I'm proud of myself. I just figured out I have many thing kept. I drank a forgoten vodka at my grandma's house with watermallon juice.
Third day:
Went to a feijoada from my class. Paid nothing. Now I'm home, happy and tired.
see ya
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
No quarto dos fundos
É... as vezes vida machuca de uma forma tão violenta que mesmo depois que a gente se levanta fica com medo de caminhar de novo. Como uma criança que cái feio da bicicleta, machuca o joelho até chegar no osso, passa um bom tempo pra se recuperar e depois de curada tranca a bicicleta no quarto dos fundos. A queda aconteceu quando a criança descia a ladeira mais alta de sua curta vida e o vento que beijava seu rosto trazia a melhor sensação que ela já teve. Se não fosse pela queda, a criança continuaria pedalando. Mas tudo aconteceu em uma fração de segundos, transformando toda aquela euforia num mar de lágrima, grito e muito sangue, fazendo uma ferida bem funda em seu joelho. Um dia, quem sabe, a criança volte a subir na bicicleta. O joelho se encontra em ótimo estado, mas toda vez que ela olha pra porta do quarto dos fundos se lembra da dor que sentiu na hora da queda e do tempo que passou pra ferida se fechar. Tanta coisa foi abdicada em prol da cicatrização dessa ferida. Algumas vezes, com a ferida ainda aberta, tentava subir na bicicleta de novo, mas a casca da ferida se rompia e era preciso começar toda a cicatrização do zero. Durante todo o tempo de repouso por causa do joelho, a coisa que ela mais sonhava era em poder subir na bicicleta de novo. A lembrança que lhe trazia mais alegria era aquela, minutos antes da queda. Ela olhava pro joelho e pensava em como foi feliz em cima da bicicleta. Em como a bicicleta proporcionou os melhores momentos de sua vida. Depois olhava pra faixa manchada de vermelho no seu joelho, trocava a gaze e tentava pensar em outra coisa. Ela decidiu então viver tranquilamente sem bicicletas e sem quedas. Por tempo indeterminado.
Quem olha pro joelho da criança não vê nada. Não vê cicatriz, mancha, nada. Como se nada nunca tivesse abalado o físico saudável que ele tem. Mas se alguém chegar bem perto do joelho e olhar com bastante cuidado vai ver que a pele que cobre é um pouco mais fina. Em compensação o joelho encontra-se bem mais resistente. Mas de que adianta um joelho forte se a bicicleta se encontra trancada no quarto dos fundos?
Quem olha pro joelho da criança não vê nada. Não vê cicatriz, mancha, nada. Como se nada nunca tivesse abalado o físico saudável que ele tem. Mas se alguém chegar bem perto do joelho e olhar com bastante cuidado vai ver que a pele que cobre é um pouco mais fina. Em compensação o joelho encontra-se bem mais resistente. Mas de que adianta um joelho forte se a bicicleta se encontra trancada no quarto dos fundos?
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