domingo, 18 de novembro de 2018

Decide logo

Você quer espaço ou posso tentar te reconquistar?

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Vontade de você

Vontade de dar um beijo de língua no teu pau agora mesmo. Minha boca saliva sem parar. Fico imaginando minha língua deslizando pelo teu pau, passando pelo saco e eu com as mãos abraçadas nessa tua bunda linda, como se estivesse segurando tua cabeça. Como se o pau fosse uma língua enorme enfiada na minha boca, brincando com a minha. Vontade de fazer isso e depois sair como se nada tivesse acontecido, mas olhando por cima do ombro pras tuas bochechas vermelhas depois dessa situação deliciosa.
Vontade de passar a mãos pelo teu peitoral e subir até os ombros. Descer pelos braços e depois te abraçar inteiro, pra sentir todo o calor nato do teu corpo aquecendo o meu, me dando energia e vida.
Vontade de te dar um beijo de língua bem molhado e gostoso, passando a mão pelo teu cabelo, pela tua barba e sentindo teus braços grossos, quentes e peludos envolta da minha cintura, das minhas costas, chegando perto da minha bunda, mas sem tocar ainda, porque eu sei que você gosta mesmo é de levar a provocação até as últimas consequências antes de entregar todo o jogo. Eu também. Deve ser por isso que a gente tem tanta sintonia, que a gente é fogo e faísca e não consegue ficar longe um do outro por muito tempo.
Vontade de beijar teu corpo inteiro, teu peitoral inteiro, teu abdome inteiro e ir descendo e sentindo o gosto viciante de cada célula do teu corpo.

Vontade boa...

Cartas para o John

Boa noite,

Mais uma vez cá estou, segurando minha vontade de entrar em contato com você através destas cartas que provavelmente você nunca lerá. A saudade está grande. Agora nem é mais tanto pra gente voltar, talvez só pra tomar uma cerveja contigo, bater um papo, ouvir uma música, já que nossos gostos musicais são tão parecidos. Sinto falta da sua companhia, muita falta. Mas isso é porque estou desempregada, pensando em você o tempo todo. Me tornei o que eu mais desprezei: ociosa que fica cheia de abobrinhas na cabeça, que não aguenta esperar o tempo passar para tomar uma atitude impulsiva. Que droga!
Mas voltando ao estado de serenidade: fingindo que estou de fato falando com você. Vamos dar uma volta, tomar uma cerveja, fumar um, rir da cara um do outro e nos abraçar um pouco. Apesar do calor, essa noite está tão fria... Queria seu corpo sempre quente só pra abraçar um pouco.
Certa vez ouvi um "tenho pena de você" de um ex namorado. Havia convidado ele para um bar, duas semanas depois de termos terminado porque não aguentava mais seus ciúmes e grudes. Mas não resisti em chamá-lo para tomar uma cerveja e conversar. Ele falou que tinha pena de mim. Pena. Que sentimento desprezível. Fiquei com o orgulho ferido. Chorei. E prometi pra mim mesma que nunca mais chamaria alguém pra tomar uma cerveja quando estivesse me sentindo sozinha dessa forma. Já quebrei essa promessa umas três vezes depois disso. E é horrível quando você quebra suas próprias promessas. Você passa a não confiar mais na sua própria palavra, no seu próprio autocontrole.
Desta vez vai ser diferente. Vamos lá, fazer mais uma promessa pra mim mesma. Não vou ficar no seu pé, insistindo pra ter sua companhia. Afinal de contas, você me respeitou muito depois que terminamos. Tanto que você, que é uma das pessoas mais pacientes e orgulhosas que conheço, demorou dois meses para me chamar pra tomar uma cerveja. Eu recusei na primeira mas você chamou uma segunda vez uma semana depois. Quero uma dose desse autocontrole. É disso que eu tô precisando. E de um emprego. Preciso de um emprego pra ocupar minha mente e parar de pensar em tanta bobagem, parar de passar o dia no celular mendigando por algum resquício de atenção sua. Torcendo para você não estar se envolvendo tanto com outra pessoa e esquecendo de mim, torcendo pra você se lembrar de mim quando escutar as músicas que te apresentei.
Chega de ser tão patética! Estou virando uma pessoa patética, é isso. Daquelas que ficam em casa resmungando e chorando por um amor antigo, que nem lembra que eu existo. Você está em êxtase com o novo relacionamento e eu tenho mais é que ocupar minha cabeça e deixar o tempo passar.
Quem me dera o tempo fosse um mertiolate, dos antigos, que a gente passa, ele arde, mas cura tudo rapidinho. Mas o tempo é como uma medicina alternativa. Ele está na fruta que você come todo dia pra adquirir aquela vitamina e não ficar gripado com a chuva.
Tempo, meu bem, seja generoso comigo, me faça esse favor. Passe depressa e me traga meu amor de volta, porque não aguento mais esperar!
Vou acender uma vela e rezar pra que você se lembre de mim e de todo o amor que eu tenho por você.

Fica bem.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O cíclico processo da perda

Boa noite,

Mais um dia se passa e não nos falamos. Talvez seja melhor assim. Minha vontade neste momento era de ir até a sua casa e falar tudo que está dentro de mim, me declarar, agarrar seu pescoço e nunca mais soltar. E no outro extremo, tenho vontade de bloquear você de todas as redes sociais da minha vida. De deixar você ir. É o tão conhecido e difícil de lidar processo da perda: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Acho que já passei por todas as fases umas duas vezes só no dia de hoje.

Ainda tento negar pra mim mesma que você se vai pra sempre. Tem uma voz dentro de mim, mas uma voz bem alta, que me diz que tudo isso é passageiro, que você ainda vai me procurar, que você vai cair em si e perceber que eu sou a mulher da sua vida e que nós vamos finalmente nos encontrar no tempo e espaço e construir nossa vida juntos. Porque é isso que eu mais quero. Casar de branco, na praia, com os pés na areia e ter um filho lindo com você. Olha o delírio. Logo eu, que sempre tive pavor de casamento e de filhos. Mas com você, eu quero tudo. E mais.

Pela raiva já passei também. É um sentimento horrível porque você culpa o universo pelo que está acontecendo. E se tem algo que eu desprezo é o vitimismo. Então toda vez que um sentimento de raiva tenta aflorar, sufoco de todas as formas, até sumir. Até porque o universo manda em dobro tudo que desejamos, então prefiro emanar coisas boas. Prefiro trocar a raiva por amor, carinho. Prefiro acreditar que o universo é inteligente o suficiente pra me mandar esse recado e que tudo acontece na nossa vida para nos ensinar uma lição. E essa lição, definitivamente, eu precisava aprender, que é a de dar valor às pessoas que nos amam. Fui muito desleixada nesse sentido nos últimos meses. Talvez por um rancor passado eu tenha sentido a necessidade de descontar no mundo. Mas a vingança sempre foi um prato que me causou indigestão. Sempre. Então prefiro não sentir raiva e encarar a situação como uma lição necessária na minha vida, para que o meu espírito evolua.

Negociação talvez seja o sentimento da vez. O sentimento que está norteando minha escrita aqui, agora. Estou negociando comigo mesma, com os astros e com a possibilidade de um dia você ler esse texto que no final tudo vai ficar bem. O bem, no momento, pra mim, é você ficar comigo e sermos felizes. Mas quem decide os acontecimentos do mundo não sou eu, é o universo. Cabe a mim apenas saber que energia eu vou jogar no ar, pra saber o que vai voltar. Quando nós vamos nos ver de novo também não sei. Mas hoje já entendo que não vai ser agora. Vai demorar. Espero que pouco mas o suficiente para que eu aprenda todas as lições que preciso levar esse ensinamento adiante.

Depressão já tive. Muita. Já estava em depressão antes de voltarmos a nos falar. Mas o tratamento xamânico que fiz nesse final de semana me deixou bem melhor. E foi uma depressão forte. E um tratamento tão forte quanto. Depressão é uma areia movediça, que cria uma sombra negra em cima das nossas cabeças e nos deixa escuro, feio. Faz as pessoas se afastarem. Naquele final de semana que você passou comigo foi possível ver esse meu lado escuro, depressivo. Não consegui aproveitar como deveria. Sinto vontade de voltar no tempo, com a cabeça boa que tenho agora, e tornar aqueles dias que você passou internado na minha cama inesquecíveis. Mas como não posso, projeto pro futuro. Tempos melhores virão.

O que está sendo difícil é lidar com a aceitação. Ainda não consegui aceitar que você vai sair de fato da minha vida, que o nosso ciclo vai se fechar. O medo que sinto é de ser apagada da sua mente. E todo esse medo vem de ninguém mais ninguém menos de mim mesma. Porque quando eu encontrei outra pessoa foi como se você nunca tivesse existido, como se eu tivesse acabado de nascer e minha realidade fosse somente aquela. Meu medo é que aconteça com você o que aconteceu comigo. E não quero ser esquecida. Porque eu não te esqueci. Hoje a lembrança que eu tenho de você está mais viva e presente do que nunca. E quero perpetuar por mais toda a minha vida. O amor que eu estou sentindo hoje é maduro, consciente e certo. Não tenho dúvidas. Não estou divagando. Não estou com medo de ficar só. Eu quero você e só você na minha vida. É uma certeza. Nós fomos feitos um para o outro. E cá estou eu, voltando à estaca zero, na negação de que você se vai de vez da minha vida novamente.

Pra finalizar esse processo e poder dormir um pouco mais descarregada, vou emanar bons fluidos, desejar só o melhor e, claro, que você se sinta abraçado por mim.

Um beijo nesse lábio carnudo e um cheiro nesse cangote quente.

Dorme com os anjos (e comigo).

Boa noite.


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

O adeus trás a esperança escondida

Boa tarde,

Venho, por meio deste, fazer uma declaração muito difícil porém necessária. Não quero mais te ver. Pronto, falei. Vivemos uma linda e inesquecível história de amor, que vai ficar marcada na minha vida como uma tatuagem bem grande, como um marco. Mas é hora de te deixar ir. Nós terminamos há pouco mais de um ano por muitas brigas bobas e opiniões diversas. Acho que foi a melhor coisa que fizemos na época pois só assim foi possível nos preservar. Nesse meio tempo eu, sem planejar ou buscar, acabei encontrando outro amor. Fui feliz, muito feliz. Senti novamente aquela euforia, me senti jovem, disposta, agitada, como se estivesse conhecendo uma nova cidade, um novo país, um novo mundo. E por medo de que essa sensação fosse de alguma forma ameaçada,  me afastei de você. Mantive, claro, uma amizade longe, sempre emanando coisas boas e desejando que tudo estivesse correndo bem na sua vida. Cuidando de longe. E segui meu caminho, como se você fosse uma página linda, boa, mas virada.
Ocorre que, depois de um tempo, inevitavelmente você começou a voltar à minha cabeça. Me lembrei de tudo de bom que nós passamos e dos mínimos detalhes que afagavam nossos calorosos dias juntos, mesmo no mais frio inverno. Me lembrei do pelo no seu pescoço, que era o lugar mais gostoso para estar depois de um dia longo, de como você nunca se afastava de mim quando eu aquecia meus pés e mãos na sua pele, de como você me deixava segura quando chegava nos locais onde eu estava. Me lembrei do seu sorriso quando me via depois de algum tempo. Do seu apetite para absolutamente tudo que via pela frente - de dar gosto de ver comendo. De como você resolvia partes da minha vida de uma forma tão simples, e com tanto prazer que me deixava até sem jeito. De como você me conhecia tão bem, melhor do que ninguém, pra entender minha estranha mania de querer ficar sozinha no quarto por algumas horas. Lembrei das horas difíceis que passamos juntos, como quando você perdeu o emprego, quando eu quase fui demitida, quando levaram minha bike e logo em seguida a sua e depois de cada um desses episódios só um abraço já resolvia 99% dos nossos problemas. Lembrei dos nossos programas e de como nos entendíamos tão bem. Das nossas conversas maduras sobre relacionamento e como pedir desculpa era sempre a melhor saída, não importando que estivesse certo. De como sua costela e seu braço encaixavam tão bem no meu corpo, que parecia até que tinha sido feito sob medida. Lembrei de como ficar de conchinha com você assistindo filme uma tarde de domingo inteira era melhor do que qualquer outro programa. Até da cara linda que você fazia quando gozava e do seu beijo molhado e abraço caloroso depois do sexo.
Lutei muito contra essas lembranças. Lutei por achar que era um erro voltar ao passado já que a página já havia sido virada, depois de tanta dificuldade de seguir adiante. Me reaproximei de você e sempre que nos víamos era como se eu voltasse pra casa, uma sensação boa de conforto, de segurança, de bem estar, de que estava ao lado de alguém que falava a mesma língua que eu. Sinto que juntos somos invencíveis. Que ninguém nunca será capaz de arranhar esse diamante que é o nosso amor um pelo outro. Mas ainda relutante, com medo mesmo. Quando você me falava algumas coisas no meio de nossas conversas, fazia referências ao passado e me dava qualquer elogio eu sentia uma alegria enorme no peito mas tentava mudar de assunto. Por medo, puro medo do que poderia sentir ou acontecer.
Até então nossa amizade estava tão boa e se fortificando a cada dia, que pensei que envolver algo mais pudesse estragar. Mas algumas coisas fogem do nosso controle, né?! Nem tudo depende do que nós planejamos. E me vi, novamente, cogitando voltar a ter um relacionamento com você. Um novo relacionamento, já que a essa altura tínhamos virado pessoas completamente diferentes. Mais maduras, evoluídas e companheiras. Me apaixonei de novo por você, perdidamente, a ponto de querer ver todo dia, abraçar todo dia, rir todo dia.
Mas como nem tudo são flores, você encontrou outra pessoa. Pior. Eu te apresentei essa pessoa. E você passou a sentir o mesmo que eu senti há um ano atrás por outro alguém. Eu pude sentir o que você sentiu por mim há um ano atrás. Estou arrasada, porque quando finalmente nós estávamos nos reaproximando tudo muda.
Me senti profundamente culpada por ter sentido ciúmes. Afinal de contas, que direito eu tenho? Somos só amigos há mais de um ano e você nunca demonstrou ciúmes por mim, pelo contrário, só muito afeto e amizade. Mas a verdade é que eu estou devastada por dentro. Ainda mais porque sei que você está feliz como há muito não ficava. E pode ter certeza, o que eu mais quero nesse mundo é a sua felicidade, porque você me fez muito feliz durante muitos anos. A experiência de amar e ser amada. Eu vivi. E foi mágico. Lindo. Já posso morrer feliz.
Hoje vejo que preciso te deixar ir, viver a sua história. Vou sentir muita, mas muita saudade mesmo, de doer o peito, de derramar algumas lágrimas antes de dormir, já que tudo ao meu redor me lembra você. Mas é justo que você viva sua nova experiência livre, como eu vivi. Se for pra gente se encontrar lá na frente, o universo vai prover. Se não, fica aqui meu agradecimento por tudo que nós vivemos e a torcida por dias melhores sempre.
Pode me incluir no seu número de emergência porque eu, como uma leoa, sou capaz de matar por você. Da mesma forma você sempre vai ser meu número, pois tenho uma certeza lá no fundo de que você vai levar meu corpo pra minha mãe se eu morrer.

E é com muita dor que eu te escrevo isso.

Se cuida.

Adeus.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Maldita esperança

Como é chocante encarar a realidade! É impressionante como mesmo com o passar do tempo, ainda existem situações que chocam. Mais surpreendente ainda é como o ser humano, o único ser na Terra dotado de inteligência, é capaz de ser levado a erro reiteradas vezes, sempre na esperança de que uma hora o resultado vá mudar. 
Talvez a culpa seja dela, da esperança. Aquela que dizem no final é a última que morre. Entendo que ela seja responsável pelas mais absurdas atitudes, que tomamos todos os dias, mesmo sabendo que as condições normais de temperatura e pressão não permitem que o resultado da reação seja outro. Maldita esperança. Tomara que você morra. 
Por outro lado, a vida sem esperança, como seria? Já provei dessa poção antes... Começar o dia sem ter vontade de levantar e encarar o mundo; Sem ter vontade de tentar mais uma vez por já estar com os joelhos feridos de tantas quedas e nenhuma vitória sequer; Repetir pra si mesmo qual será o resultado negativo de todas as atitudes antes mesmo de tentar fazer algo. E o final dessa história - previsível - não é dos melhores.
Mas e ai, como proceder? Vamos partir do básico, do bê-a-bá, que é aprender com os erros (na esperança de que eles não ocorram mais). Analisar tudo tim tim por tim tim.
Feita essa etapa, se os erros, tropeços e fracassos persistirem - e eles têm persistido feito vírus da gripe ultimamente - partiremos então para a próxima, que é: mudar as peças de lugar. Que em time que está ganhando não se mexe, todos nós já sabemos, e o inverso se aplica da mesma forma. Se o time está perdendo, vamos mudando, de um por um, os jogadores, até que se encontre o responsável pelo fracasso. E, nesse caso, o clube precisa estar em boas condições para realizar a troca, pois bons jogadores não mudam de time se não auferirem uma vantagem maior com a mudança, certo?!
Então, antes de mudar os jogadores: vamos fortalecer o clube. E como isso será feito? Bem, vai parecer aquelas listas bobas de livros de autoajuda, mas o pior é que é realmente o que deve ser feito: crer em si mesmo, se achar, se garantir. Olha, além da nossa mãe - e algumas vezes nem ela - ninguém mais acha que nós somos alguma coisa. Por isso, temos que nos achar por nós e pelos outros. Partindo desse ponto, naturalmente o padrão de escolha que faremos irá subir. Com esse padrão alto, poderemos atirar mais alto e assim atingir o melhor alvo, escolher os melhores jogadores para nosso clube e, quem sabe, chegar à final do campeonato.
Ok, eu sei que escrevendo assim parece super fácil. Mas não é. Não mesmo. O mundo e as pessoas são bem mais complicados que isso. E cá estou tentando encaixá-las numa receita de bolo simples. Bem... pelo menos eu estou tentando. E ao que parece a maldita da esperança continua viva, como uma lombriga dentro de mim, esperando que o resultado seja satisfatório, ou, quem sabe, vitorioso.

E que comece o campeonato!


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ne me quitte pas


Não me deixe

Devemos esquecer
Tudo pode ser esquecido
Que já tenha passado
Esquecer os tempos
Dos mal-entendidos
E os tempos perdidos
Tentando saber como
Esquecer as horas
Que as vezes mataram
Com sopros de porque
O coração de felicidade

Não me deixe
Não me deixe
Não me deixe

Eu vou te oferecer
Pérolas de chuva
Que vêm dos países
Onde não chove
Eu vou cavar a terra
Até a minha morte
Para cobrir teu corpo
De ouro e luzes
Eu farei uma terra
Onde o amor será rei
Onde o amor será lei
Onde tu serás rainha

Não me deixe
Não me deixe
Não me deixe

Não me deixe
Eu inventarei
Palavras sem sentido
Que tu compreenderás
Eu te falarei
Sobre os amantes
Que viram duplamente
Seus corações incendiarem-se
Eu te contarei
A história deste rei
Morto por não poder
Te reencontrar

Não me deixe
Não me deixe
Não me deixe

Nós freqüentemente vemos
Renascer o fogo
Do vulcão antigo
Que pensamos estar velho demais
Nos é mostrado
Em terras que foram queimadas
Nascendo mais trigo
Do que no melhor abril
E quando vem a noite
Com um céu flamejante
O vermelho e o negro
Não se casam

Não me deixe
Não me deixe
Não me deixe

Não me deixe
Eu não vou mais chorar
Eu não vou mais falar
Eu me esconderei lá
Para te contemplar
A dançar e sorrir
E para te ouvir
Cantar e então rir
Deixa que eu me torne
A sombra da tua sombra
A sombra da tua mão
A sombra do teu cachorro
Não me deixe

Não me deixe
Não me deixe
Não me deixe